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Mostrando postagens com marcador Kathmandu. Mostrar todas as postagens
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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Dia 151 - Telefonema inusitado

É tão bom ter a liberdade de comer o que quiser, na hora que quiser. Na parte da manhã comi uma super salada de frutas, chá gelado, torradas, omelete e um cappuccino italiano. Apenas.

Enquanto fazia conversava com meu amigo americano, que pegou o quarto ao lado do meu, recebi um telefonema que me assustou. Era a embaixada indiana mandando eu ir buscar o meu passaporte até as 17:00. Meu passaporte ficou mais de uma semana por lá, pois eu não tinha condição de sair do orfanato, e enfrentar aquela toada, só para buscar o passaporte. Esse negócio de visto indiano foi bem cansativo. Porra, ir quatro vezes ao consulado para conseguir um visto de um mês é revoltante. Deu até vontade de desistir, mas como meu voo sai de lá, para a Jordânia, remarcar a passagem seria muito mais complicado e oneroso.
Almocei um frango himalaio, em um dos meus restaurantes favoritos, Rosemary Kitchen e depois voltei para o meu hotel, para tirar um merecido cochilo. Poder ter preguiça é um luxo.

Ia combinar com os espanhóis de dividirmos um taxi até o aeroporto, tarefa que seria simples em qualquer país levemente desenvolvido, mas os taxis nepaleses são minúsculos, além de parecerem umas sucatas. Não seria possível colocar 3 adultos e suas respectivas malas. E tem gente que acha o Brasil uma merda.


Fui despedir do meu amigo da copiadora, que sempre me ajudou a imprimir as atividades para a escola, além do pôster, que ficou incrível. Fico pensando quantas pessoas eu conheci nesses últimos tempos e, a grande maioria delas, nunca mais verei, ou terei qualquer contato. Estranho isso, mas é a vida do mochileiro.

sábado, 19 de julho de 2014

Dia 120 - Lamatar, dia 12

Assistindo ao movimento em Durbar Square

 Acordei às 04:00 com o relógio do menino tocando, uma ótima maneira de começar o dia. No início da manhã, resolvi ajudá-lo com os estudos, fazendo perguntas, com o caderno dele na mão.

Estudamos  administração, especificamente, tipos de empresas (privadas, estatais). Durante a arguição, percebi que ele era apenas um gravador, que decorava e repetia o que estava escrito no caderno, nada além. Mesmo assim, muitas das frases escritas, em um inglês lamentável, não faziam o menor sentido; ajudei no que pude.

Tomamos café da manhã no mesmo restaurante que comi na última semana, excelente. Salada de frutas com iogurte, waffles, omelete com espinafre e cogumelos, um banquete.

Partimos rumo ao dia de turista. Começamos pela Durbar Square, mais famoso ponto turístico de Kathmandu, mas Saroj não conhecia. Passeamos por lá, tiramos fotos e ficamos observando o movimento de pessoas.
Mais Durbar Square


Caminhamos por 30 minutos, até chegar ao cinema, que fica em um shopping, chamado Civil Mall, em Sundhara. O shopping é bem diferente, pois, apesar dos sete andares, é bem pequeno, mais parecendo uma galeria. A praça de alimentação é uma atração à parte, pouquíssimos restaurantes, com uma higiene duvidosa. Não se compra direto no restaurante, mas em um quiosque, no meio da praça, onde adquiri um cartão pré-pago, com a quantidade de dinheiro que gostaria de gastar. A coisa mais esquisita que já vi, além de pouco eficiente. Para completar, a praça parecia um calabouço, quente e escura, com cheiro de fritura.


Observei, sem tecer comentários, e fomos para o sétimo andar, onde fica o cinema e fliperamas, do início da década de 90.

Jogos de corrida de carros, moto, tiro, basquete... Jogamos todos, até que fomos ao cinema, chamado QFX, assistir ao novo filme do Planeta dos Macacos, chamado Dawn of the Planet of the Apes, em 3D. O ingresso custa NPR420, BRL11.
Piloto de fuga
Começando as críticas, a sala de cinema era até razoável, com cadeiras confortáveis e ar condicionado adequado, mas o som era bem ruinzinho. O filme era em inglês, sem legendas, e a cada cena em que os atores fumavam, aparecia um aviso “fumar é prejudicial à saúde”; queria ter tirado uma foto. O melhor foi que no meio do filme, houve um intervalo, de 15 minutos, para que as pessoas comprassem mais comida e bebidas. Pipoca, cachorro quente, nachos, donuts... Nunca vi tantas iguarias de alto teor calórico, reunidas em um só lugar.


O filme foi fraco, mas a experiência, extraordinária. Saroj não tirava o sorriso do rosto, pois só tinha ido uma vez ao cinema, há muitos anos, e nunca tinha assistido a um filme em 3D.
Saroj com os óculos 3D

Durante todo o tempo que andamos pela cidade, tentei, de forma sutil, comprar coisas que seriam úteis para ele, mas ele sempre retrucava que não precisava. No final das contas, descobri que ele precisava de uma calculadora para as aulas de administração. Um presente útil, que servirá para ele e os outros do orfanato. Eu tive uma calculadora semelhante nos tempos de curso técnico.


A noite encontrei uma amiga alemã, que teve o quarto invadido e levaram todo o dinheiro que ela tinha, cerca de USD400. Fica mais um alerta!

Ela me contou que dar aulas para os monges budistas está sendo uma experiência única. As idades são entre 5 a 20 e poucos anos, alguns bebem, fumam e já houve casos de monges fugirem do monastério com voluntárias. Muitas famílias, principalmente da região dos himalaias, enviam seus filhos para serem monges, pois assim, receberão uma educação adequada, além de alimento e abrigo. O único problema nessa história toda, é que muitos não tem aptidão para a vida de reclusão parcial, então, acontecem essas desventuras.


Jantamos em um restaurante vegetariano/vegano chamado Places. Uma comida excelente, para fechar com chave de ouro a última noite em Kathmandu, antes de regressarmos ao orfanato.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Dia 119 – Lamatar, dia 11

Saroj com uma pizza do tamanho dele
Saroj tem aula de 05:00 até 08:00 (loucura esses horários nepaleses), então combinei com ele que ele deveria chegar o mais rapido possível no orfanato, para dar tempo de ir até o consulado da Índia, em Kathmandu.
Como todo consulado, os horários são limitadíssimos, sendo que só posso entrar com o pedido de visto entre 09:30 e 12:00.
Primeiramente deve-se fazer o requerimento de visto on-line, onde é necessário preencher um formulário, scanear uma foto no tamanho 2x2 polegadas,  imprimir o formulário, assinar e colar a foto. Se eu tenho que colar a maldita foto, qual a razão de scanear?

Com o atraso do Saroj, não seria mais possível ir ao consulado, mas sei que ele já estava na expectativa de ir hoje, então preferi manter o combinado. Sei o tanto que é ruim desmarcarem algo que a gente quer muito fazer. Essa empatia e cuidado com o outro, que estão faltando nos dias de hoje.
Depois da maratona de 2 transportes, caminhos empoeirados, paradas a cada 15 metros,  chegamos! Fizemos o check-in no hotel e fui andar com ele por Thamel, onde ele ficou impressionado com a quantidade de lojas, turistas, barulho e tráfego.

Ele é vegetariano, o que dificultou um pouco a escolha de lugares, além do mais, se come muito pouco no orfanato, então tive dificuldades em fazê-lo comer. Fomos jantar em uma pizzaria muito boa chamada Fire and Ice. Estive lá semana passada, então ja sabia o que esperar. Pedi uma pizza para cada um de nós, uma senhora pizza, quase do tamanho do diminuto Saroj. Não sei quanto ele tem de altura, mas ele de pé, não chega no meu ombro.
Conversando um pouco mais com ele, descobri que a mãe abandonou ele e o irmão mais novo com o pai, quando ele tinha apenas 5 anos. Aos 10 anos, o pai morreu,  por conta do alcoolismo, então ele foi para o orfanato em Lamatar e o irmão para um em Kathmandu; nunca mais se encontraram desde então.

Hoje,  com 16 anos (descobri que na verdade ele tem 18, mas foi registrado tardiamente), ele está fazendo uma espécie de especialização em administração, em Lubhu,  cidade próxima à Lamatar.

Fico pensando quantas crianças e adolescentes não tem histórias semelhantes, ou muito piores.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Dia 101 - Conhecendo a cidade

Sadhu de Ray Ban
Depois da aventura do dia anterior, ao invés de termos aulas, o professor nos levou para os três principais templos da cidade.


Começamos pelo Boudha Stupa, que é uma stupa budista, onde ao seu redor há dezenas de prédios com arquitetura ocidental, do século XIX. Até então foi o lugar mais bonito que já vi em Kathmandu. Nos pequenos prédios, de 3, 4 andares, funcionam cafés, lojas e restaurantes, e em um deles, almoçamos na cobertura, com uma vista bem bacana.

Rio Bhagmati
De lá, fomos para um templo hindu, chamado Pashupati Temple ou Shiva’s Temple. A parte interna do templo é permitida apenas para os hindus, 80% dos nepaleses, mas checamos os arredores, onde há um rio que desemboca no Ganges, na Índia.


Boudha Stupa
O rio Bhagmati, considerado sagrado pelos nepaleses, assim como o Ganges para os indianos, é onde ocorrem os principais funerais dos hindus. Pudemos acompanhar dois funerais, sendo que um, estava no final e o corpo já estava sendo cremado – cenas bem fortes.
Nesse templo tive a oportunidade de tirar uma das minhas fotos prediletas até então. Alguns Sadhus, discípulos do Deus Shiva, adoram tirar fotos com turistas e um deles, que usava um óculos Ray Ban, chamou minha atenção. Após tirar as fotos, me pediram dinheiro, prática que eu condeno, mas, pela primeira vez, “paguei” pela foto.


Macaco posando
Continuamos a nossa peregrinação e fomos para outro templo budista, chamado Swoeymbhu Temple, mais conhecido como Monkey Temple. O templo era interessante, mas o que mais chamava atenção eram os macacos, que pareciam posar para fotos. De lá era possível ter uma visão 360° de Kathmandu e pude confirmar que a capital nepalesa é pouquíssimo verticalizada, contando apenas com pequenos prédios, de no máximo 4 andares.

Macaco com vista da
cidade

Voltamos para o hostel e comecei a ter uns certos desconfortos. Aqui se tranca o portão da frente às 19:00, como se fosse um toque de recolher e sequer temos a chave da porta. Entendo que não querem que fiquemos perambulando pela cidade até tarde da noite, mas 19:00? Lamentável.
Não gosto de ter meu direito de ir e vir cerceado, então confesso estar bem irritado com essa situação.


Militarismos a parte, fui dormir, mas meu colchão está úmido e fede a mofo, então tive uma noite bem desagradável, com a contribuição de um pernilongo que cantou na minha orelha até cansar.
Pedirei para tomarem providências quanto ao mofo, pois voluntário é uma coisa, escravo é outra.
 
 
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