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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Dia 139 – Lamatar, dia 31

Mãe e Mausam, com seu sorriso impagável
Comecei o dia fazendo uma conferência com a América, via bluetooth do carro; conversamos eu, Marcelisio, Renato Lantin e a menina que não sei o nome. Diversão e risadas garantidas. Sugeri que me visitem na Alemanha e eles analisarão a proposta de passar o réveillon em Berlim, comigo.

Recebi a notícia que um nepalês, que mora na América, leu o meu blog e achou minhas opiniões sobre o país, muito extremas. Vale ressaltar que o blog é minha página pessoal, onde minhas experiências são descritas a partir da visão cretina que tenho das situações do dia a dia.


A criançada adorou cantar Ain’t no Mountain High Enough e cantaram, pelo menos o refrão, com o maior empenho. O poder da música me fascina! Do mais bagunceiro, ao mais quieto, todos curtiram e tentaram acompanhar a letra. Alunos de outras classes pediram para participar também. No total, reproduzi 18 vezes a música e assumo que ficarei um bom tempo sem ouvi-la.

Um aluno, que não era das turmas que eu tenho costume de lecionar, ignorou totalmente e não quis participar da cantoria. Quando perguntei onde estava a letra da música, ele disse que tinha jogado pela janela. Fiquei puto com a atitude do pirralho e mandei ele ir buscar a letra. Ele buscou, recolhi a letra e ele ficou a aula toda olhando com cara de tacho, enquanto os seus colegas aproveitavam o momento. Uma pena ele não ter a maturidade que os outros tiveram.

Recebi a notícia bombástica, que na próxima semana eu não darei aulas, já que é a semana de prova dos estudantes, o que quer dizer que tenho apenas mais um dia de aula, na sexta-feira. Fiquei chateado, pois com o imprevisto, não deu tempo de preparar nada de especial, para a minha despedida da escola.
No orfanato jogamos Uno, um jogo de cartas italiano, que o japa, digo, China, trouxe de presente.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Dia 138 - Lamatar, dia 30

Galerinha reunida para despedida da Kat
Última manhã da Kat no orfanato. Daqui ela vai para Londres e passará uns dias pela Europa, antes de voltar à América. Em sua homenagem, comi parte do meu delicioso café da manhã utilizando as mãos; estilo nepalês. Experiência nada agradável, mesmo estando com as mãos bem lavadas.

Sugeri ao China ir comigo para a escola e ver a situação em que as crianças estudam. Meu raciocínio foi o seguinte; o orfanato recebe vários voluntários por ano, então, o nível de exposição e possibilidades de ajuda, são bem maiores que na escola. Além do mais, com 250 alunos, qualquer melhoria feita na escola, beneficiará uma comunidade, ao invés de poucas crianças.
Ele ficou chocado com a situação de algumas salas, com a falta de organização e de estrutura, além da indisciplina dos alunos. Conversamos com o diretor, que deu algumas sugestões de como ele poderia ajudar.

A minha opinião é que eles são tão desorganizados, que o melhor a se fazer seria ajudar a consertar algumas coisas da escola, ao invés de enviar dinheiro, que poderia, facilmente, ser mal aplicado. Outra ajuda seria algum tipo de curso de como dirigir uma escola, já que lá é tudo uma bagunça inacreditável.

Na parte da tarde, todos meus alunos foram fazer um trabalho de campo, então não dei parte das aulas.

Voltei para casa e ajudei algumas crianças no dever de casa, enquanto organizava o material para levar uma música nova para a escola. Escolhi Ain’t no Mountain High Enough, do Marvin Gaye. Essa música é muito alto astral, com uma letra simples e bonita. Tenho certeza que a molecada vai adorar.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Dia 137 - Lamatar, dia 29

Minhas alunas da 5ª série
Meu amigo Xing Ling me impressionou com a seriedade e empenho que ele está tratando de alguns assuntos. Sendo de uma família muito rica de Shanghai, ele veio como porta voz da família e de amigos prósperos, com o intuito de investir no orfanato e no futuro das crianças.

Na parte da manhã ele marcou uma reunião com o coordenador, para saber as possíveis formas de ajudar. Da 1ª a 10ª série, a escola é pública, então para continuar os estudos, cada criança precisa de um patrocinador, responsável por enviar USD100,00 mensais, no período de dois anos. Uma quantia insignificante, para ajudar na formação de um jovem. Saroj, o adolescente que levei para passar um final de semana em Kathmandu, recebe esse dinheiro, mas outros, que estão chegando nessa faixa etária, ainda não.


Continuo tirando mais fotos, para colocar no mural que estou fazendo para o orfanato, que está cada vez mais bacana. Assim que estiver pronto, coloco fotos de como ele ficou.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Dia 136 - Lamatar, dia 28

Aniversariante do dia: Manip
A grande novidade do dia seria a chegada de mais um voluntário. Como 90% dos voluntários são voluntárias, previamente, Kat já foi preparando o quarto para a chegada da nossa nova colega.


Para nossa surpresa, chegou um voluntário mesmo! Um garoto chinês, de 17 anos, vindo de Shanghai. As crianças adoraram, já que teriam dois brothers, algo raríssimo. Em 4 anos de orfanato, eu fui o segundo voluntário a vir, pois o restante eram apenas garotas. É importante para as crianças terem um exemplo masculino também.

O chinês veio com uma mala cheia de bugigangas para as crianças (tudo Made in China), entre estojos, canetas coloridas, cadernos, livros e joguinhos.  As crianças adoraram, mas ele trouxe tanta coisa, que o restante, eu vou levar para a escola para distribuir entre os meus alunos, como bônus.


Uma das crianças do orfanato fez aniversário. Manip completou 11 anos e depois do jantar, fizeram uma cerimônia muito bonita. Como não tive tempo para comprar presente, dei um dinheirinho para ele, cerca de BRL30, que aqui é um dinheirão. Cantamos, dançamos e fomos dormir.
Detalhe; os ratos, que foram exterminados há algumas semanas, voltaram.

domingo, 3 de agosto de 2014

Dia 135 - Lamatar, dia 27

Nas extremidades, Sushila e Kalika, as heroínas
Fiquei devendo a música para uma turma, de 10 a 11 anos, mas eles não curtiram tanto quanto os maiores. Mal conseguiam acompanhar e entender o ritmo. De qualquer forma, eles se divertiram e tiveram contato com algo diferente.

No orfanato, há duas mulheres que são responsáveis por cozinhar e limpar a casa. Elas ficam, praticamente, 14 horas por dia por conta dessas tarefas, de domingo a domingo. O mundo delas é o orfanato, já que as crianças, pelo menos, saem para ir a escola e convivem com outras crianças.

Nem amigas elas tem... Creio que esse sacrifício todo seja em função dos filhos, já que uma tem uma menina e a outra tem dois meninos, que vivem no orfanato junto aos demais. Dessa forma, eles terão casa, comida e estudo, algo que sozinhas, elas não conseguiriam prover.

De qualquer forma, mesmo depois de quase um mês de convivência com elas, minha mente ocidentalizada não consegue entender como podem viver tão reclusas do mundo. A ignorância é uma bênção mesmo. Quanto menos se conhece do universo ao redor, menos vontades temos de mudar, ou, pelo menos, menos estímulos. Assim, é possível se contentar com o que tem, ao invés de ficar na ganância de sempre querer mais.


Duas heroínas, criando três crianças, mais treze, sempre com amor e carinho com todos, inclusive com os voluntários.

sábado, 2 de agosto de 2014

Dia 134 - Lamatar, dia 26

08:00 acordei, depois de passar a noite toda brigando com parasitas, e fui conversar com o gerente do hotel. Ele me deu 50% de desconto e dois sucos de manga, no restaurante, praticamente cobrindo todas minhas despesas de hospedagem. Pediu mil desculpas e acusou um chinês, que ficou hospedado na noite anterior no mesmo quarto que eu, de ter levado os parasitas.

Independentemente de desculpas, não sei se na minha próxima ida a Kathmandu, ficarei hospedado naquela espelunca.

Almocei falafel, em um restaurante vegetariano e de lá voltei para casa, naquela confortável jornada de quase duas horas, entre vacas, cachorros e muita, mas muita poeira.


Preparei o material para as aulas da semana e fui brincar com as crianças. No jantar, mais uma vez, arroz com sopa de lentilha. Uma belezura.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Dia 133 - Lamatar, dia 25

Ponto de ônibus em Lamatar
Aconteceu tanta coisa e o dia foi tão intenso, que nem sei por onde começar...
Peguei o transporte cedo, rumo à Kathmandu, mas essa vez foi especial. Como fui mais cedo que o normal, por volta das 07:20, várias mulheres estavam indo vender seus produtos de hortifruti, em cestos enormes e pesados, e a única maneira de irem à cidade é usando as vans. Fiquei impressionado como que as pessoas ajudam umas às outras por aqui, mesmo sendo desconhecidos. Um senso de comunidade e de amor ao próximo impressionantes.

Enfrentei essa maratona apertada e fedorenta e fui direto para o consulado. Um sol de matar e chegando lá, descobri que o meu visto teria duração de 1 mês e, caso desse entrada com o meu passaporte naquele dia, quando o visto vencesse, eu ainda estaria em Nova Delhi. Fiquei enlouquecido de raiva, pois havia conversado anteriormente e me falaram que o meu visto teria duração de 6 meses. Terei que perder novamente o meu tempo para ir lá...

Frustrado, voltei para o centro e fui para o hotel que tenho costume de ficar. O “ meu quarto” estava ocupado, então me deram um outro no 5º andar. Um suplício subir 5 andares de escada, no calor que estava fazendo, mas tudo bem.

Fui ao meu amigo que imprime e faz cópias de arquivos que uso nas salas de aula. Imprimi novas atividades para os alunos, inclusive a letra da música que utilizarei na próxima semana. Lá, tem também, um estúdio de fotografia, então ficamos vendo fotos e pôsteres que ele tem. Comentei sobre a intenção de fazer um pôster com diversas fotos das crianças e ele me deu uma breve aula de como fazer isso no Photoshop. Cheguei no hotel e fiquei horas organizando as fotos e “colando” no futuro pôster, que custará menos de BRL30 e terá 36x48”.

Como frequento os mesmos lugares, já tenho uma certa relação de amizade em hotéis, restaurantes e até com o drug dealer (traficante) local. Cada dia que passa me torno menos turista e mais um cidadão de Kathmandu.

Minha loja! Prakash
Encontrei com meus amigos para jantar e a alemã levou um dos alunos dela, um monge de 19 anos, que está há mais de 10 anos no monastério. Essa experiência foi impagável! O rapaz era um showman e foi o centro das atenções da nossa mesa. Contou histórias de quando foi pego pela polícia, dirigindo sem carteira, das traquinagens que fazem com outros monges e nos ensinou xingamentos em nepalês. Disse que ficou quase 8 anos sem poder sair do monastério, mas hoje ele já tem mais liberdade. Depois de conhecê-lo, pude entender melhor os casos de monges largarem o monastério e se casarem, principalmente com voluntárias.
Quando imaginamos monges budistas, inicialmente, pensamos na vida de abdicações e orações, colocando-os como seres distantes do nosso mundo físico. Entretanto, são tão humanos como nós e, nem todos, tem essa vocação, já que a grande maioria é enviada muito jovem para os monastérios. Combinei de ir jogar bola com os monges, qualquer dia desses.

Voltei para o hotel, querendo apenas uma boa noite de sono, que não aconteceu. Acordei no meio da madrugada, me coçando, e acendi a luz para pesquisar a causa. Minhas suspeitas se confirmaram quando vi um pequeno artrópode caminhando pelo lençol. Bed bugs!!! Os minúsculos insetos, famosos por se hospedar em camas, mordendo e sugando o sangue de viajantes, enquanto dormem. Todo mochileiro já ouviu falar dessas pragas, mas eu nunca tinha tido a experiência. Fui até a recepção e pedi para mudar de quarto, mas o hotel estava lotado e 02:00 da manhã não dá para sair por aí procurando hotéis com vaga.


A solução, dada por mim, obviamente, foi colocar um colchão no chão e dormir por lá mesmo. Algumas horas depois acordei com uma coceira estranha e consegui capturar a fonte. Pulgas! Se não bastasse bed bugs na cama, tinha pulgas no carpete. Matei umas duas e o cansasso venceu o desconforto, por volta de 04:30 da manhã
 
 
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